Apimentando Geraldo Alckmin

Analisando esse programa eleitoral em particular, do candidato GERALDO ALCKMIN, consigo observar vários pontos que tornariam o argumento do candidato bem mais persuasivo, contundente e eficiente. Não vou escrever agora sobre todos pois prefiro me ater a um ponto bastante simples, que é uma falha muito comum que todos cometemos. 

O QUE FOI DITO

Após uma história comovente sobre a crise na Venezuela (assista ao vídeo completo no link acima), que termina mostrando que o ex-Presidente LULA e o deputado JAIR BOLSONARO apoiaram em algum momento o venezuelano HUGO CHÁVEZ, o candidato Geraldo Alckmin aparece em cena e diz:

"Talvez esse seja um dos momentos mais delicados da nossa Democracia. O risco de o Brasil se tornar uma nova Venezuela é real, a partir dos extremismos que estão colocados nessa eleição.
Por um lado, o extremismo de um deputado que já mostrou simpatia por ditadores como Pinochet e Hugo Chávez, que já defendeu o uso da tortura, que acha normal que mulheres ganhem menos que os homens. Uma pessoa intolerante e pouco afeita ao diálogo que, em quase 30 anos de Congresso, nunca presidiu uma comissão sequer. Nunca foi líder de nenhum dos nove partidos aos quais foi filiado. Um despreparado, que representa um verdadeiro salto no escuro. Por outro lado, temos a própria escuridão: o PT, sempre radical e extremista. O partido que apoia o regime ditatorial que levou a Venezuela ao desastre. O partido que quer o fim da Lava-Jato, que foi envolvido no maior esquema de corrupção do mundo: o Petrolão. O partido que nos deixou o desastroso legado da Dilma e Temer. São dois lados de uma mesma moeda: a do radicalismo. Se qualquer desses lado vence, o país perde. Sou oposição a ambos, porque sou a favor do Brasil."

O PROBLEMA

Imagine, por um momento, que você é um apoiador do candidato Jair Bolsonaro e então escuta, nesse programa eleitoral, que seu candidato apoia - obs.: tempo verbal no Presente - o regime do Hugo Chávez sendo mostrado, como evidência, um recorte de um jornal antigo em que o Bolsonaro aparece bem mais jovem. Imediatamente, você então responde "Ahhh, mentira! Ele disse isso quando era inexperiente, 20 anos atrás... hoje ele não apoia não. Que apelação...". O argumento do Alckmin é, assim, imediatamente invalidado e algo ainda pior pode acontecer: você sente raiva do "golpe baixo", raiva do Alckmin - perda de RAPPORT - e pensa "se ele falou besteria agora, então tudo o que ele disse é besteira".
(OBS.: um apoiador do Lula, ou do PT, pensaria algo equivalente.)

Isso parece um exagero? Falta de Lógica? Sim, mas o que mais observamos nas discussões acaloradas são pessoas querendo resolver a briga de forma emocional e, nesse estado emocional de "combate", os argumentos são distorcidos, a memória fica seletiva, etc... não é verdade? Esse fenômeno é bem estudado na HIPNOSE: as pesquisas mostram que, quando nos sentimos atacados, entramos em transe e, nesse transe hipnótico, outros fenômenos mentais - como a distorção e a alucinação - se tornam mais importantes e tendemos a deixar a Lógica de lado.

Então, no final das contas, argumentar de forma agressiva é quase sempre "dar murro em ponta de faca" e, ao invés do candidato Geraldo Alckmin conseguir atrair novos apoiadores, pode ser que o contrário aconteça! 

SOLUÇÃO

Uma maneira mais eficiente de argumentar com opositores é, inicialmente, conectar-se a eles através dos pontos de concordância. Somente após essa fase apresente pontos contrários, como se apresentasse uma alternativa. Essa técnica é chamada de PACE-AND-LEAD e é bastante eficaz nos discursos persuasivos e nas induções hipnóticas. Para dar um exemplo, farei algumas alterações no texto do Geraldo Alckmin:

TEXTO FINAL ADAPTADO*

"Talvez esse seja um dos momentos mais delicados da nossa Democracia. O risco de o Brasil se tornar uma nova Venezuela é real, a partir dos extremismos que estão colocados nessa eleição.
Concordo, em alguns pontos, tanto com o candidato Bolsonaro quanto com o candidato Fernando Haddad mas discordo deles em questões fundamentais. Concordo com o Bolsonaro quando ele diz que devemos ter muito cuidado com um certo tipo de extremismo de Esquerda, para que não aconteça no Brasil o que aconteceu com a Venezuela. Mas eu discordo quando ele diz que é normal que mulheres ganhem menos que os homens, ou que se pode usar tortura em certos casos, ou que o governo militar no Brasil foi bom. E, com o Fernando Haddad, concordo quando ele diz que a extrema Direita não pode impor seu moralismo à força e concordo que não podemos liberar armas para a população. Porém discordo veementemente quando seu partido apoia o regime do Hugo Chávez, ou quando querem o fim da Lava-Jato, e discordo pelo Haddad ainda continuar no partido envolvido no maior esquema de corrupção do mundo: o Petrolão. Esses dois candidatos são dois lados de uma mesma moeda: representam aquele extremismo que pode fazer do Brasil uma  nova Venezuela. Acredito que, se qualquer um desses lados vence, quem perde é o país. Mais do que nunca, nesse momento delicado da nossa Democracia, o Brasil precisa de alguém que, ao invés de extremista, saiba dialogar, tenha experiência,... etc."




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* O TEXTO ACIMA, ASSIM COMO OUTROS TEXTOS DO BLOG, NÃO REPRESENTA A MINHA OPINIÃO OU JULGAMENTO EM RELAÇÃO AO TEMA OU AUTORES. ANALISO SOMENTE O FORMATO DO DISCURSO, NÃO SEU CONTEÚDO. 

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