No lado esquerdo do Octagon, Fernando Haddad

Em entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo, no dia 14/09/2018, o candidato à Presidência da República FERNANDO HADDAD passou quase o tempo todo se defendendo de críticas a membros do seu partido e, no geral, a entrevista poderia ser resumida num "bate-boca". Nada foi falado sobre propostas ou plano de governo. Será que o candidato poderia ter conduzido a conversa de alguma outra maneira, logo de início?

O PROBLEMA

Como será que o candidato se preparou para essa entrevista?

Os jornalistas WILLIAM BONNER e RENATA VASCONCELLOS iniciaram a entrevista com uma questão que pautou todo o encontro:
"Nem Lula, nem Dilma, nem o PT jamais fizeram uma autocrítica (...) como é que o senhor vai convencer o eleitor (...) se não há um pedido de desculpas ao povo brasileiro pelos bilhões desviados por causa da corrupção?"

Na entrevista, o candidato toma como postura defender Lula, Dilma e o PT, lançando mão até de acusações contra outros partidos e contra a própria emissora de TV (Rede Globo). Bateu de frente e o clima de bate-boca foi, consequentemente, inevitável.

Questões desse tipo não deveriam ter pego o candidato de surpresa, já que são temas discutidos com frequência. Então o desafio aqui é: como preparar-se para responder questões prováveis como essa, evitando o bate-boca?

SOLUÇÃO*

A pergunta feita pelos jornalistas traz vários padrões de linguagem que, na PNL, chamamos de DISTORÇÃO, que poderiam ser desafiadas  como nos exemplos abaixo:
  • Parte do raciocínio que justifica a pergunta é "se governos anteriores do PT foram corruptos então o governo do Haddad será corrupto". A verdade é que não, não necessariamente. Para provar isso, considere algum grupo do qual você mesmo faz parte e verifique se você repete todos os erros das outras pessoas do grupo. Acredito que sua resposta será "não". Esse tipo de distorção da pergunta dos jornalistas é chamado de EQUIVALÊNCIA COMPLEXA e poderia, por exemplo, ser respondido com:
"Posso listar vários políticos do PT que foram prefeitos e governadores eleitos e reeleitos, e que não estão sendo acusados de nada. Vocês estão dizendo que eles são corruptos só porque Lula e Dilma foram acusados disso? É o que vocês estão querendo dizer sobre mim também?"
  • A pergunta também considera que "erros do passado serão repetidos no futuro". Frases de julgamento como essa são chamadas de EXECUÇÃO PERDIDA e podem também ser respondidas, como nesse exemplo:
"De acordo com quem os erros do passado sempre serão repetidos no futuro? Eu acredito no contrário disso. Acredito que posso olhar para o que foi feito de errado nos governos do Lula, da Dilma, e também para o que foi feito de errado nos governos do PSDB e de outros partidos, aprender com esses erros e propor um novo caminho. Se vocês fizerem perguntas sobre o meu programa de governo, posso mostrar o que eu aprendi e mostrar como combaterei a corrupção."

Uma outra possibilidade seria antecipar todo o teor da conversa dizendo, já de início, o que irá acontecer e porque não valerá a pena. Chamamos essa técnica de INOCULAÇÃO. Imagine se o candidato tivesse dito a seguinte frase no começo da entrevista:

"Deixe-me dizer uma coisa: toda vez que vocês fizerem acusações ao meu partido ou a outros políticos do meu partido, vocês sabem que eu direi que não acredito nas acusações e que foi feita uma conspiração contra eles. Em seguida vocês dirão que isso não é verdade, e eu vou dizer que é sim e vamos ficar nessa. A conversa não sairá do lugar... certo? Eu realmente espero que você tenham preparado outros tipos de pergunta, perguntas sobre como vou tratar a corrupção e outros assuntos no meu governo, por exemplo. Se formos falar somente sobre as acusações em cima de Lula, Dilma ou outros políticos do PT, ficaremos patinando nisso, andando em círculos, batendo-boca e, provavelmente, será criado um clima feio e deselegante. Vamos perder tanto o seu tempo quanto o meu tempo e o tempo de quem está nos assistindo pela TV. Que tal tomarmos outro caminho?"




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* O TEXTO ACIMA, ASSIM COMO OUTROS TEXTOS DO BLOG, NÃO REPRESENTA A MINHA OPINIÃO OU JULGAMENTO EM RELAÇÃO AO TEMA OU AUTORES. ANALISO SOMENTE O FORMATO DO DISCURSO, NÃO SEU CONTEÚDO. 

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