Paulo Skaff e o Escafandro

Assistindo à entrevista do candidato PAULO SKAFF ao governo do Estado de São Paulo, observamos o apresentador CÉSAR TRALLI fazendo perguntas bastante agressivas. Essa "violência" se deve à estrutura linguística - que explicarei melhor a seguir - e normalmente obriga que a outra parte tenha muita calma e consciência para responder. É bom que todos nós estejamos preparados para perguntas como essa, não só os candidatos!

Coloquei no título desse post a palavra "escafandro" não só pela similaridade fonética com o nome "Skaff" mas porque cada pergunta do apresentador parecia uma tentativa de "afogar" o candidato em um mar de pressuposições. O "escafandro" é uma metáfora para as estratégias que podem ser tomadas com o objetivo de não nos afogarmos em situações como a que o candidato teve que enfrentar.

AS PERGUNTAS do  CESAR TRALLI

O apresentador fez várias perguntas como estas:
  • "Candidato, em investigações promovidas pela Procuradoria da República, três delatores disseram que o Presidente Temer pediu dinheiro para a sua campanha a Governador em 2014. Isso não deixa o senhor constrangido?"

  • "A fila por habitação só aumenta, temos um déficit de um milhão e trezentas mil moradias mas o programa do senhor não fala nada sobre prazos, não fala nada sobre construção de casa popular. Para quem tá disputando o Governo do Estado pela terceira vez, as propostas do senhor não são muito vagas, não são muito genéricas?"

O PROBLEMA

Para facilitar a análise das perguntas acima, vou criar uma que segue o mesmo princípio, porém, de forma bastante exagerada: 
  • O senhor fez X, Y e Z. Isso não faz do senhor o maior imbecil de todos os tempos?
Imagine que a pessoa respondesse, simplesmente, "Não, não faz". Poderíamos então ficar em dúvida se o que ele respondeu foi:
  • Não sou o MAIOR imbecil de todos os tempos mas talvez ser o segundo colocado. 
  • Não sou o maior imbecil de TODOS OS TEMPOS" mas talvez o maior imbecil dos tempos de hoje. 
  • etc.
Isso não é muito engraçado? E, enquanto estamos distraídos pensando nisso, a afirmação "o senhor fez X, Y e Z" tem chances de ser aceita questionamento algum. Estruturas linguísticas como essa são bem conhecidas pela Hipnose e PNL.

SOLUÇÃO

Como solução, vou buscar aqui algo que soe elegante e não um contra-ataque. Uma técnica sugerida na PNL é o uso do METAMODELO e, no caso de responder uma pergunta como a que estamos analisando, devemos apontar o que está sendo pressuposto, devolvendo a pergunta à outra parte. No exemplo que criei, acima, várias respostas seriam possíveis e, dentre elas, as seguintes:

-"Ah, você está supondo que fazer X, Y e Z faria de alguém um idiota. O que uma coisa tem a ver com a outra?"

- Ah, você está supondo que eu fiz mesmo X, Y e Z. Quem especificamente te disse isso?  Porque eu estava lá e sei que não fiz. E lembro que você não estava lá também."

- etc.

Considere que, nos exemplos acima, você não está respondendo de maneira agressiva mas com cordialidade, como se apenas quisesse tirar uma dúvida. Esse tipo de réplica, somada à atitude cordial, tende a deixar o "agressor" bastante desconcertado!

EXEMPLOS DE REPOSTA AO TRALLI*

Coloco aqui um exemplo ilustrativo:

Tralli: "Candidato, em investigações promovidas pela Procuradoria da República, três delatores disseram que o Presidente Temer pediu dinheiro para a sua campanha a Governador em 2014. Isso não deixa o senhor constrangido?"

Skaff:  "Pelo visto você está supondo que essas denúncias são verdadeiras mas são mentiras, calúnias. Você, Tralli, fica constrangido quando mentem ao seu respeito? Eu não, eu fico é bravo e inconformado!"





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* O TEXTO ACIMA, ASSIM COMO OUTROS TEXTOS DO BLOG, NÃO REPRESENTA A MINHA OPINIÃO OU JULGAMENTO EM RELAÇÃO AO TEMA OU AUTORES. ANALISO SOMENTE O FORMATO DO DISCURSO, NÃO SEU CONTEÚDO. 

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