Ana Amélia e a Igualdade de Gêneros

Ontem, dia 06/Set/2018, escutei o pronunciamento da candidata Ana Amélia, vice do Geraldo Alckmin à Presidência da República, no Programa Eleitoral da TV:

"7 de Setembro, dia que nosso país comemora a Independência. Infelizmente, milhões de brasileiros não têm o que comemorar. Em especial nós, mulheres brasileiras, que sofremos todos os dias com a desigualdade, o preconceito, e a violência. Isso tem que acabar! Estou nesta eleição para ajudar a mudar essa realidade. Por isso, escolhi estar ao lado de alguém experiente, sensível, capaz de fazer as mudanças que o Brasil tanto precisa: Geraldo Alckmin, médico e homem público de grande experiência."
Eu estava correndo na esteira quando escutei essa fala na TV da academia e pude notar uma moça também assistindo. Logo após, essa moça balança a cabeça negativamente, com um sorriso irônico no rosto e vai embora. Quais os problemas desse discurso?

OS PROBLEMAS

Em primeiro lugar, a candidata tem a aparência daquela avó que você ama, uma aparência que, entretanto, não condiz com o estereótipo da mulher que luta pela desigualdade entre os gêneros. Seu nome também não ajuda: os de mais idade correlacionam o nome "Amélia" negativamente à causa da desigualdade em função da música "Ai que saudades da Amélia". Podemos chamar tudo isso de preconceito - e realmente todo esteriótipo é preconceituoso - mas o fato é que estes símbolos são gatilhos inconscientes, com uma influência poderosa na Comunicação. 
Além disso, a linguagem usada pela candidata, principalmente no final da fala, passa a ideia de "para ela mudar algo, precisou se aliar a um homem capaz"... outro erro que me parece grave! 
Considerando tudo isso, o que ela poderia fazer para corrigir esses problemas?

SOLUÇÕES


  • Em relação ao esteriótipo, ao invés de mudar de aparência ou de nome, uma ideia seria usar o que chamamos na Programação Neuro-Linguística de INOCULAÇÃO: se você já sabe antecipadamente que as pessoas terão algumas objeções, mencione-as explicitamente e ofereça uma resposta ANTES dos ouvintes pensarem nas objeções. Assim, você as elimina prematuramente. Por exemplo, a candidata poderia dizer em algum momento algo como:


"Eu sei que sou uma senhora de 73 anos, dizem até que pareço uma avó simpática, mas não se engane pela minha aparência não:  sou uma mulher lutadora, de fibra e de princípios inabaláveis!"


  • Como ela poderia mencionar sua aliança com o Geraldo Alckmin, porém mantendo uma imagem de mulher poderosa? Observe que ela usa a frase "Estou nessa eleição para ajudar a mudar a realidade"... e se ela retirasse a palavra "ajudar" da frase? Ficaria melhor? Considere, então, o efeito das seguintes alterações:


"Estou nessa eleição para mudar a realidade. Por isso, obtive o comprometimento do Geraldo Alckmin para nos ajudar nesta causa, enquanto nós mulheres o apoiaremos na Presidência da República. Geraldo Alckmin é médico e pessoa pública de grande experiência, capaz de fazer as mudanças que o Brasil tanto precisa."

DISCURSO FINAL*

"7 de Setembro, dia que nosso país comemora a Independência. Infelizmente, milhões de brasileiros não têm o que comemorar. Em especial nós, mulheres brasileiras, que sofremos todos os dias com a desigualdade, o preconceito, e a violência. Isso tem que acabar! Estou nesta eleição para mudar essa realidade. Eu sei que sou uma senhora de 73 anos, dizem até que pareço uma avó simpática, mas não se engane pela minha aparência não: sou uma mulher lutadora, de fibra e de princípios inabaláveis! Por isso, obtive o comprometimento do Geraldo Alckmin para nos ajudar nesta causa, enquanto nós mulheres o apoiaremos na Presidência da República. Geraldo Alckmin é médico e pessoa pública de grande experiência, capaz de fazer as mudanças que o Brasil tanto precisa."




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* O TEXTO ACIMA, ASSIM COMO OUTROS TEXTOS DO BLOG, NÃO REPRESENTA A MINHA OPINIÃO OU JULGAMENTO EM RELAÇÃO AO TEMA OU AUTORES. ANALISO SOMENTE O FORMATO DO DISCURSO, NÃO SEU CONTEÚDO. 

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